
Transbordar Entre Fios e Afetos

Grupo Santo Amaro- Transbordando Juventude
O Projeto Transbordar entre Fios e Afetos surge como uma resposta ética, sensível e comprometida às profundas transformações sociais vivenciadas por comunidades afetadas pelo deslocamento forçado em Maceió. A iniciativa busca criar espaços de convivência e apoio psicossocial capazes de acolher, escutar e fortalecer sujeitos impactados pela ruptura de vínculos territoriais, afetivos e comunitários. O projeto implementado pela Jarede Viana já alcançou cerca de 100 pessoas atingidas. “A saúde mental comunitária é uma área transversal no Programa Nosso Chão, Nossa e o projeto Transbordar entre Fios e Afetos surge nessa perspectiva: mitigar os danos morais coletivos causados pelo desastre da mineração por meio do fortalecimento dos vínculos e do estímulo à resiliência comunitária”, destaca Dilma de Carvalho, membra do Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE), responsável pela coordenação do Programa.
Cantinho Jarede Viana

O Cantinho Jarede Viana caracteriza-se como unidade de acolhimento e proteção de pessoas com vínculos familiares e comunitários fragilizados ou rompidos, em situação de violação de direitos. O acolhimento imediato e emergencial ocorre para mulheres vítimas de violências ou estruturalmente vulnerabilizadas, seja por encaminhamento de serviços da rede pública de saúde, assistência social, sistema de justiça ou por demanda espontânea. Acolhemos mulheres e seus filhos em tempo parcial ou integral, O período de permanência para o acolhimento integral é dialogado a partir da elaboração dos Projetos de Vidas e atendimento psicossocial. Inicialmente fazemos o acolhimento na rede de saúde pública e a partir da identificação das outras demandas são acompanhadas ou encaminhadas à Rede de Atenção Psicossocial, Assistência Social, Educação, e Sistema de Justiça. Primando pelo estímulo ao fortalecimento individual e coletivo, autonomia para tomada de decisões e pertencimento.

O projeto surge diante da necessidade de fortalecer mulheres em situação de vulnerabilidade social, especialmente mulheres negras, indígenas, vítimas de violência de gênero, egressas ou em privação de liberdade, reconhecendo que as desigualdades de raça, gênero, classe e sexualidade produzem impactos profundos em suas trajetórias de vida, limitando o acesso a direitos, oportunidades e autonomia econômica.
Em Alagoas, os indicadores de violência de gênero, racismo estrutural e exclusão social continuam revelando um cenário preocupante. Mulheres negras representam a maior parcela das vítimas de violência doméstica, feminicídio e encarceramento, sendo frequentemente atravessadas por processos históricos de discriminação, pobreza e violação de direitos. Além disso, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho após o cumprimento de pena reforça ciclos de exclusão social, comprometendo processos efetivos de ressocialização e independência financeira.

A criação e o fortalecimento do Núcleo de Produção Modafro-In constituem uma importante estratégia para transformar conhecimentos tradicionais, identidades culturais e criatividade em oportunidades concretas de inclusão produtiva. Mais do que capacitar profissionalmente, o projeto pretende fortalecer lideranças femininas, ampliar o protagonismo social das participantes e contribuir para a redução das desigualdades estruturais que afetam mulheres negras, indígenas e egressas do sistema prisional.

